De uma coisa todos nós sabemos: vamos morrer um dia.
Naquela tarde, estávamos sentados, conversando, esperando ansiosamente do Domingo de Páscoa. Inesperadamente o telefone toca. Um toque infernal, daqueles que ficam na sua mente e parece que nunca mais iria parar de tocar. Eis que minha mãe atende, seu tom de voz nunca muda, um tom suave. Desta vez foi diferente, o tom suave deu lugar ao espanto, angústia, medo, seguido de um grito em meio ao silêncio: - Morreu!
Levanto-me rapidamente, corro ao encontro de minha mãe que estava sentada em sua cama, pálida, com a cara de espanto. O tal João havia morrido, logo penso: - Terei que ir ao velório, mas como? Tenho pavor de velório, só de pensar naquele morto intacto, parecendo um zumbi! E se ele levantasse do caixão querendo comer os meus órgãos? Sim, era um exagero, um trauma talvez, o medo tomava conta de mim e com ele, o momento de preparar a roupa preta.
Subo para me arrumar, vou ao banheiro lavo o rosto, um descarrego de água gelada o percorre, um choque e uma pausa, um alívio temporário. É hora da coragem, de enfrentar e aguardar que tudo passe, e que o retorno para casa seja breve e que a tranquilidade novamente volte a reinar.
Fernanda Caroline Silva
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