sexta-feira, 27 de junho de 2014

A barata voadora


   Após um dia cansativo de estudos, tomei um banho, escovei os dentes e fui dormir. Assim que peguei no sono fui incomodada com o ardido barulho de uma barata que entrava voando pela janela do meu quarto.
    Em virdude disso, levantei acendi a luz e a avistei na cortina, então peguei meu chinelo para matá-la. Parecia que ela sabia da minha intenção, começou a subir a cortina e logo se escondeu no varão, não consegui mais vê-la.
    Voltei a dormir, mas com medo. Acordei outra vez, no meio da madrugada, com ela voando, tentando encontrar uma saída; me dei ao trabalho de levantar e acender a luz mais uma vez, e claro, ela se escondeu novamente. Resolvi procurá-la, mas não a encontrei.
   Apaguei a luz, torcendo para não ser mais incomodada quando de repente, a ouvi voando. Acendi a luz rapidamente e a avistei. Peguei o chinelo com sangue nos olhos, dei com passos silenciosos, estava quase lá, quando ela me assustou abrindo suas asas e perambulando por todo lugar. Mais uma vez, a barata me passou para trás.
    Irritada, não desisti. A vi caminhando em minha direção, era a hora, joguei o chinelo em sua direção, acertei, mas ela somente diminui o ritmo, facilitando a outra chinelada. Finalmente a matei.
    Seu corpo aveludado ficou estraçalhado no chão. Limpei seus restos, lavei as mãos e voltei a dormir, agora sim, dormir.

Vaniele Oliveira de Melo

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Velório

     De uma coisa todos nós sabemos: vamos morrer um dia.
     Naquela tarde, estávamos sentados, conversando, esperando ansiosamente do Domingo de Páscoa. Inesperadamente o telefone toca. Um toque infernal, daqueles que ficam na sua mente e parece que nunca mais iria parar de tocar. Eis que minha mãe atende, seu tom de voz nunca muda, um tom suave. Desta vez foi diferente, o tom suave deu lugar ao espanto, angústia, medo, seguido de um grito em meio ao silêncio: - Morreu!
    Levanto-me rapidamente, corro ao encontro de minha mãe que estava sentada em sua cama, pálida, com a cara de espanto. O tal João havia morrido, logo penso: - Terei que ir ao velório, mas como? Tenho pavor de velório, só de pensar naquele morto intacto, parecendo um zumbi! E se ele levantasse do caixão querendo comer os meus órgãos? Sim, era um exagero, um trauma talvez, o medo tomava conta de mim e com ele, o momento de preparar a roupa preta.
    Subo para me arrumar, vou ao banheiro lavo o rosto, um descarrego de água gelada o percorre, um choque e uma pausa, um alívio temporário. É hora da coragem, de enfrentar e aguardar que tudo passe, e que o retorno para casa seja breve e que a tranquilidade novamente volte a reinar.

Fernanda Caroline Silva

Ônibus


   No ônibus, a caminho da escola, sete da manhã... Na realidade as pessoas preferiam estar debaixo de suas cobertas, sonhando e resmungando coisas sem o menor sentido, no entanto, naquele momento, enfrentavam a dura verdade de um um ônibus trepidante, que rangia a cada troca de marcha ou virada brusca. Há tantas reações, muitas imensuráveis.
    Imensurável é uma boa palavra para descrever a altura de um pobre garoto que tinha que baixar a cabeça para não topar com os canos de apoio que haviam no alto. Ele conseguia ser tão alto a ponto de precisar arquear o corpo a cada vez que virávamos a esquina.
    A hora do dia não permitia aos adolescentes ser… “adolescente” - posso dizer isso e me citar como exemplo -  o sono os faziam piscar lentamente e abrir a boca para bocejar, preguiçosamente.
    Os poucos que riam e conversavam estavam sob efeito de entorpecentes e discutiam coisas que para muitos seria sem sentido.
    As músicas que tocavam eram de diversos estilos, cada um com o seu fone no ouvido, espantando o sono e relaxando a mente antes de enfrentar uma aula com muitos números confusos que não faziam o menor sentido.
    O desconforto das pessoas mais velhas no ônibus era visível, já que estar no meio de jovens adolescentes, com senso de humor e pensamentos diferentes não é algo fácil.
    Falando do que não é fácil, não é nada fácil levantar todos os dias cedo para enfrentar a monotonia de um ônibus em que todos estão perdidos em seus próprios mundos, fingindo que o outro no existe, nada fácil, mas necessário. Por ser necessário eu resisto.

Mayara de Goes Batista

De volta para casa, por favor!


    Um certo feriado, minha família resolveu que iríamos viajar para a praia. Meus pais convidaram mais um casal amigo com sua filha e um colega de meu pai. Chegando lá, a casa era minúscula para tanta gente, foi um sofrimento até que conseguimos colocar todas as malas e coisas para dentro da casa. Tinha apenas dois quartos, sala, cozinha e o banheiro para oito pessoas. Era um aperto, todos falavam ao mesmo tempo, aquilo me estressava e pra variar, eu tive que dormir na sala e dividir o colchão com meu irmão.
    No começo da noite, estava tudo bem, silêncio bom para dormir, quando de repente escuto o barulho da porta abrindo, alguém estava indo no banheiro. Eu deitada, quase dormindo, veio uma luz muito clara em meu rosto. O barulho da porta abrindo e fechando tirava meu sono, até que tarde da noite tudo se aquietou.
    Enfim, dormi! O restante da noite foi calmo e tranquilo, caía uma chuvinha fina boa para dormir. Mas logo que amanheceu, mais ou menos 6h, ouvia  barulhos de pessoas abrindo as portas, janelas e conversando. Eu não podia, se quer, dormir até um pouco mais tarde.
    Então, resolvi levantar, pois vi que não conseguiria dormir mesmo. Saímos, passeamos, aproveitei o meu dia de uma forma boa e produtiva, mas a noite era o mesmo dilema, dormir na sala com muitas pessoas na casa era horrível. Eu não via a hora de ir embora para a minha casa.
    Arrumei meu colchão na sala novamente e deitei. Logo começaram a passar por ali, fazendo barulhos e abrindo a porta. A luz, muito clara, insistia em incomodar no meu rosto. Apesar de tudo dormi mais rápido. Enfim, na segunda a noite, logo pela manhã, voltaria embora para minha casa, a hora mais esperada de toda a viagem.

Steffany Santos

Aperto


    Todo dia na faculdade é a mesma coisa, acontece na hora da entrada e da saída aquilo vira um caos.
    Um empurra, empurra. Um fungando no pescoço um do outro.  Fora quando você está atrasado para aquela aula importantíssima e aquela fila não anda nunca.
     É a mesma coisa de passar o mundo inteiro por um funil, impossível!
   Todos veem isso, mas ninguém fala, que se simplesmente ele colocarem mais duas roletas vai facilitar a nossa situação. Que no momento é de desconforto.
    Quando eu vejo os irmãos João e Maria não dá para saber se é dois ou um só, que aperto.
    Se bem que alguns gostam de ficar naquele fuziu o porque não sei, cada uma!
    Fora quando tem um que não consegue passar o cartão, mais uns minutinhos naquele caos.
    Que desconforto quando tem um homem atrás de você, sem comentários né?
    São muitos detalhes que acarretam essa situação de tédio, desconforto e desespero e cada um... Cada um com seu cada um.

Helen Rubia de Oliveira

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Eterna saudade


    Era dia cinco de maio, uma segunda-feira. Uma jovem acabava de sair do trabalho, cansada, pegou o celular e nele havia várias mensagens do seu namorado dizendo que iria buscá-la próxima ao ponto de táxi, havia lhe preparado uma surpresa.
    Então, ela seguiu seu caminho como todos os dias, chegando ao ponto de táxi, se depara com seu namorado, já bravo porque havia demorado e ele já estava atrasado para a faculdade. Discutiram no meio da rua, as pessoas que passavam por ali o que, inevitavelmente, fazia as pessoas pararem para olhar.
    Passado alguns minutos, ele a levou para casa, chegando lá, ele abre sua bolsa  e de lá tira rosas vermelhas e um urso de pelúcia.
    Em seguida, dá-lhe um beijo na testa, ajoelha-se, olha em seus olhos e declara seu amor por ela  diante de um público razoável. Enfim, estavam juntos depois de 7 longos dias sem se ver, apenas se falando por mensagens. Deram um beijos e mataram a saudade, a eterna saudade.

Isabelle M. Menegassi

terça-feira, 24 de junho de 2014

Solidariedade


    Caminho pela Avenida 25 de março, como toda avenida, barulhos perturbantes, carros e uma grande quantidade de pessoas. Paro em uma mercearia para comprar um refrigerante de guaraná e me deparo com uma moradora de rua pedindo algo para comer. Tinha uns sete anos, vestia uma roupa toda rasgada, camiseta bege e uma calça amarela suja de carvão. Um atendente atrás de um balcão que tinha o cabelo todo grisalho e que vestia um avental branco, disse:
    - Some já daqui! Não tem nada aqui para você! Imunda! 
    A menina olha para a porta marrom, que era larga e doe vidro. Digo a ela para escolher algo para comer. O comerciante faz um sinal negativo com a cabeça e resmunga, pois isso acontecia diariamente. 
    Algum tempo depois, encontro novamente na rua, voltando da escola, toda pomposa, vestindo camisa branca, saia e um lacinho azul na cabeça. Sem pensar duas vezes, fui ao sem encontro e volto a conversar com ela. Precisava saber se ela ainda lembrava de mim, não foi preciso dizer nada. Ela  me olhou e disse que eu havia a ajudado no momento em que mais precisava. Abracei-a, aquele abraço foi sincero de demorado, o qual transmitiu uma paz jamais sentida. Deu-me um beijo de marcar o rosto e saiu. Um lágrima fria caiu sobre o meu rosto, sensação nunca sentida e impossível de ser descrita.