quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ônibus


   No ônibus, a caminho da escola, sete da manhã... Na realidade as pessoas preferiam estar debaixo de suas cobertas, sonhando e resmungando coisas sem o menor sentido, no entanto, naquele momento, enfrentavam a dura verdade de um um ônibus trepidante, que rangia a cada troca de marcha ou virada brusca. Há tantas reações, muitas imensuráveis.
    Imensurável é uma boa palavra para descrever a altura de um pobre garoto que tinha que baixar a cabeça para não topar com os canos de apoio que haviam no alto. Ele conseguia ser tão alto a ponto de precisar arquear o corpo a cada vez que virávamos a esquina.
    A hora do dia não permitia aos adolescentes ser… “adolescente” - posso dizer isso e me citar como exemplo -  o sono os faziam piscar lentamente e abrir a boca para bocejar, preguiçosamente.
    Os poucos que riam e conversavam estavam sob efeito de entorpecentes e discutiam coisas que para muitos seria sem sentido.
    As músicas que tocavam eram de diversos estilos, cada um com o seu fone no ouvido, espantando o sono e relaxando a mente antes de enfrentar uma aula com muitos números confusos que não faziam o menor sentido.
    O desconforto das pessoas mais velhas no ônibus era visível, já que estar no meio de jovens adolescentes, com senso de humor e pensamentos diferentes não é algo fácil.
    Falando do que não é fácil, não é nada fácil levantar todos os dias cedo para enfrentar a monotonia de um ônibus em que todos estão perdidos em seus próprios mundos, fingindo que o outro no existe, nada fácil, mas necessário. Por ser necessário eu resisto.

Mayara de Goes Batista

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