terça-feira, 24 de junho de 2014

Solidariedade


    Caminho pela Avenida 25 de março, como toda avenida, barulhos perturbantes, carros e uma grande quantidade de pessoas. Paro em uma mercearia para comprar um refrigerante de guaraná e me deparo com uma moradora de rua pedindo algo para comer. Tinha uns sete anos, vestia uma roupa toda rasgada, camiseta bege e uma calça amarela suja de carvão. Um atendente atrás de um balcão que tinha o cabelo todo grisalho e que vestia um avental branco, disse:
    - Some já daqui! Não tem nada aqui para você! Imunda! 
    A menina olha para a porta marrom, que era larga e doe vidro. Digo a ela para escolher algo para comer. O comerciante faz um sinal negativo com a cabeça e resmunga, pois isso acontecia diariamente. 
    Algum tempo depois, encontro novamente na rua, voltando da escola, toda pomposa, vestindo camisa branca, saia e um lacinho azul na cabeça. Sem pensar duas vezes, fui ao sem encontro e volto a conversar com ela. Precisava saber se ela ainda lembrava de mim, não foi preciso dizer nada. Ela  me olhou e disse que eu havia a ajudado no momento em que mais precisava. Abracei-a, aquele abraço foi sincero de demorado, o qual transmitiu uma paz jamais sentida. Deu-me um beijo de marcar o rosto e saiu. Um lágrima fria caiu sobre o meu rosto, sensação nunca sentida e impossível de ser descrita.

Nenhum comentário:

Postar um comentário